LogoNotícias de Salvador

Cuba exige fim do embargo energético em reunião com delegação dos EUA

Encontro diplomático em Havana tem como pauta central demanda cubana pelo levantamento do bloqueio energético.

21/04/2026 às 10:53
Por: Redação

Autoridades do Ministério das Relações Exteriores de Cuba confirmaram, nesta segunda-feira, 20, que ocorreu uma reunião recente na capital, Havana, entre representantes cubanos e integrantes do governo dos Estados Unidos. O anúncio foi feito por Alejandro García, diretor-geral adjunto para temas relacionados aos Estados Unidos no órgão cubano, em declarações ao jornal Granma.

 

Durante o encontro, diplomatas de ambos os países trataram de questões bilaterais, com destaque para a solicitação cubana de suspensão imediata do embargo energético imposto pelos EUA. Segundo García, a delegação americana contou com secretários-adjuntos do Departamento de Estado, enquanto o lado cubano foi representado por autoridades no nível de vice-ministro das Relações Exteriores.

 

O representante cubano detalhou que a discussão foi pautada pelo profissionalismo e respeito mútuo. Ele salientou que nenhuma das partes impôs prazos ou emitiu ultimatos durante a reunião, contrariando informações divulgadas por veículos de imprensa dos Estados Unidos.

 

García ressaltou ainda que reuniões desse tipo são tratadas com discrição, em razão da natureza sensível dos assuntos em pauta entre os dois países. O diplomata reforçou que a principal pauta defendida por Cuba foi o fim do bloqueio energético, classificado por ele como uma medida de coerção econômica que prejudica toda a população da ilha.

 

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou García.

 

Medidas dos Estados Unidos e seus efeitos

 

Desde 29 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou o bloqueio histórico mantido contra Cuba, por meio de uma ordem executiva que instituiu estado de emergência nacional. O documento classificou a ilha caribenha como uma ameaça incomum e extraordinária à segurança do país norte-americano.

 

Com essa decisão, o governo dos EUA ganhou instrumentos para sancionar nações que tentem fornecer petróleo a Cuba, tanto de forma direta quanto indireta. Como consequência, a ilha passou a enfrentar falta de combustível, afetando o cotidiano dos cidadãos cubanos.

 

Apesar das restrições, o governo cubano manteve aberta a possibilidade de diálogo com os Estados Unidos, desde que as conversas ocorram em clima de respeito mútuo e sem interferência externa.

 

Perspectiva para o diálogo bilateral

 

Em consonância com essa postura, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou, em recente entrevista à imprensa americana Newsweek, que vê espaço para busca de acordos em diferentes áreas, como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

 

Ele afirmou: “O diálogo deve sempre ocorrer em termos de igualdade e com pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional.”

 

Posteriormente, ao conceder entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, Díaz-Canel reforçou:

 

“Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”

 

© Copyright 2025 - Notícias de Salvador - Todos os direitos reservados