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Coopamare enfrenta ordem de despejo após 37 anos sob o Viaduto Paulo VI

Coopamare, referência nacional na reciclagem, pode ser removida após decisão da prefeitura

22/04/2026 às 21:29
Por: Redação

A Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare), localizada sob o Viaduto Paulo VI, na região de Pinheiros, em São Paulo, recebeu notificação da prefeitura para deixar o espaço onde atua há mais de 37 anos. O comunicado oficial foi entregue no dia 31 de março, tendo como base um auto de fiscalização de 18 de março, que diz respeito à ocupação de uma área de 675 metros quadrados considerada, segundo o documento, irregular por conta de invasão.

 

A Coopamare é reconhecida como a cooperativa de reciclagem de materiais em atividade mais antiga do país. Questionada sobre o caso, a administração municipal não havia se manifestado até o encerramento do prazo da reportagem.

 

A permissão de uso do local havia sido revogada pela prefeitura em 2023, sob a justificativa de proteção ao patrimônio público e alegação de risco de incêndio nas instalações. Após essa revogação, a diretoria da Coopamare apresentou defesa e iniciou conversas com o poder público, que teria prometido encontrar um novo endereço adequado para as operações da cooperativa.

 

Conforme destacado por Carla Moreira de Souza, presidente da Coopamare, a entidade está disposta a relocalizar suas atividades, desde que seja para um galpão com estrutura que permita a continuidade do trabalho desenvolvido ao longo de décadas. Segundo Carla, a prefeitura sugeriu outro viaduto como opção, porém o espaço seria insuficiente para comportar o volume de material e os equipamentos utilizados.

 

“Estamos aqui há 37 anos. Aceitamos ir para outro lugar, desde que seja um galpão onde tenhamos condições de continuar trabalhando. A prefeitura nos oferece outro viaduto, mas o espaço é pequeno e não dá para levar nossas coisas", disse.


 

Carla ainda afirmou que o desejo dos membros da cooperativa é permanecer no endereço atual ou, caso isso não seja possível, ser transferidos para um galpão na mesma região de Pinheiros, garantindo condições adequadas e direitos trabalhistas preservados.

 

Composta por 24 cooperados fixos e cerca de 60 catadores autônomos, a Coopamare recolhe mensalmente aproximadamente 100 toneladas de resíduos recicláveis, movimentando grande volume de material e promovendo inclusão social na cidade.

 

Mobilização em defesa da Coopamare

 

A cooperativa lançou manifesto que integra um abaixo-assinado para defender sua permanência em Pinheiros. O texto ressalta que proteger a Coopamare é apoiar o trabalho digno, a sustentabilidade ambiental e a justiça social. De acordo com o documento, a entidade é símbolo de luta e respeito, formada por trabalhadores que, em muitos casos, superaram a condição de rua e encontraram na reciclagem uma alternativa de renda e transformação social.

 

O manifesto destaca que a atividade diária da cooperativa garante a separação correta e a destinação adequada dos resíduos recicláveis, o que resulta em redução da poluição, menor quantidade de lixo encaminhado para aterros sanitários, preservação ambiental e economia para os cofres públicos, já que há diminuição dos custos com coleta de lixo.

 

Além desses fatores, a experiência da Coopamare serve como referência nacional para outras iniciativas organizadas por catadores, estimulando a formalização da categoria e o combate à exclusão social frequentemente enfrentada por esses profissionais.

 

Diversas entidades de apoio aos catadores, entre elas a Associação Nacional de Catadores/as de Materiais Recicláveis (Ancat), a Unicatadores e o Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR), manifestaram apoio público à Coopamare. Para a Ancat, a permanência da cooperativa não é um favor, mas sim um reconhecimento pela sua importância na estrutura da cidade, sendo a primeira do gênero no Brasil e precursora da reciclagem com inclusão social.

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