Na quinta-feira, feriado de São Jorge no estado do Rio de Janeiro, será realizada a 13ª edição do Trem do Choro, evento que celebra o Dia Nacional do Choro, data escolhida em referência ao nascimento do músico e compositor Alfredo da Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha. A iniciativa é fruto da parceria entre o projeto cultural e a empresa SuperVia.
O Trem do Choro propõe transformar o trajeto habitual do trem suburbano carioca em uma experiência musical dedicada ao choro, gênero tradicional da música instrumental brasileira. O evento teve início em 2012, quando Luiz Carlos Nunuka, acompanhado de amigos, criou uma roda de choro no bairro de Olaria, na zona norte do Rio de Janeiro, dando origem ao Grupo 100% Suburbanos, que se consolidou como instituição cultural.
O sucesso da iniciativa fez com que, a partir do ano seguinte, a SuperVia se tornasse parceira do projeto, disponibilizando anualmente, no Dia Nacional do Choro, um trem inteiro para a realização do evento. Em cada uma das oito composições do trem, grupos dedicados ao choro realizam apresentações. Cada vagão recebe o nome de um importante representante desse estilo musical, sendo o primeiro deles uma homenagem ao Maestro Pixinguinha.
“E a cada ano, o Trem do Choro está se espalhando cada vez mais”, disse à Agência Brasil Itamar Marques, do Coletivo Trem do Choro, responsável pela organização e promoção anual da iniciativa. Para participar, é necessário apenas adquirir o bilhete convencional do transporte.
Em 2026, a homenageada do evento é Albenise de Carvalho Ricardo, nascida em 1969 em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e conhecida artisticamente como Nilze Carvalho. Cantora, compositora, bandolinista e cavaquinista, Nilze possui formação em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e é reconhecida por sua forte ligação com a música popular brasileira, em especial o choro instrumental e o samba do Rio.
Segundo informações de Itamar Marques, a escolha da artista para esta homenagem busca destacar a importância das mulheres, que têm enfrentado diversas formas de violência no país.
“Nada mais justo do que homenagear a mulher através de Nilze Carvalho”, destacou Marques. Nilze estará no primeiro carro do trem, junto ao maquinista. Em cada parada do trajeto, o público é convidado a se juntar à celebração e ouvir os tradicionais chorinhos.
Nesta edição, haverá também a oficialização do Coletivo Trem do Choro, que reúne diversas instituições culturais da região da Leopoldina.
De acordo com Itamar Marques, o coletivo é composto por pessoas com diferentes especialidades voltadas à valorização da cultura suburbana e à preservação da história do evento. Ele ainda ressaltou que o choro é hoje um gênero reconhecido internacionalmente e que o público participante do Trem do Choro cresce a cada ano, estimando entre seis mil e sete mil pessoas presentes anualmente.
O início da programação está previsto para as 10h, na Estação Central do Brasil, Plataforma 12. O trem partirá às 11h18, com destino à Estação Olaria, que recebe, simbolicamente, o nome de “Estação do Choro Zé da Velha”. Ao longo do percurso, grupos de choro se apresentam nos diferentes vagões, promovendo a tradição da música instrumental brasileira.
Chegando a Olaria, músicos e participantes seguem em cortejo pelo Circuito Mestre Siqueira até a Travessa Pixinguinha, local de residência do homenageado do dia, onde será novamente celebrada sua memória. Após o cortejo, o Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano promove a tradicional roda de choro e uma feira cultural na Praça Ramos Figueira, também chamada de Reduto Pixinguinha. Neste espaço acontecerá ainda uma ação social em parceria com o Lions Club.
Durante toda a 13ª edição, imagens do evento registram a força da tradição e da cultura do choro, consolidando a importância do Trem do Choro como manifestação cultural no cenário carioca.