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Salário médio do trabalhador atinge novo recorde e chega a 3.722 reais

Rendimento médio mensal avança 5,5% em 12 meses e participação na previdência atinge 66,9%

01/05/2026 às 02:40
Por: Redação

No primeiro trimestre de 2026, os trabalhadores do Brasil registraram um rendimento médio mensal de 3.722 reais. Esse valor representa um crescimento real de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, considerando o ajuste da inflação. Desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que começou a ser realizada em 2012, este é o maior patamar já observado.

 

O rendimento do trimestre encerrado em março foi o segundo seguido a ultrapassar 3.700 reais. No fechamento do trimestre anterior, em fevereiro, o rendimento médio ficou em 3.702 reais. Em comparação com o último trimestre de 2025, cujo valor foi de 3.662 reais, houve um acréscimo de 1,6%.

 

Resultados setoriais e variações salariais

 

Segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, foram analisados dez segmentos de atividade. Em oito deles, a remuneração média permaneceu estável, sem variações relevantes. Dois setores, porém, se destacaram com aumento nos salários: o comércio, com elevação de 3% (acréscimo de 86 reais), e a administração pública, onde o valor subiu 2,5% (mais 127 reais).

 

Fatores que impulsionaram o crescimento do rendimento

 

Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, avalia que o reajuste do salário mínimo, que passou a vigorar em janeiro de 2026 no valor de 1.621 reais, contribuiu para o avanço do rendimento médio. Ela destaca:

 

Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].

 

A pesquisadora aponta ainda outro aspecto relevante: entre o último trimestre de 2025 e o primeiro de 2026, houve redução de um milhão no total de pessoas ocupadas. Esse decréscimo foi mais concentrado entre os trabalhadores informais, que costumam receber salários menores. Dessa forma, o rendimento médio dos ocupados cresceu quando comparado ao período anterior.

 

Massa salarial e impacto econômico

 

O levantamento do IBGE também revelou que o total de rendimentos pagos aos trabalhadores atingiu 374,8 bilhões de reais, valor mais alto de toda a série histórica. Esta soma corresponde à quantia usada pelos trabalhadores para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança.

 

Em relação aos três primeiros meses de 2025, o montante cresceu 7,1% acima da inflação, o que representa um acréscimo de 24,8 bilhões de reais em doze meses.

 

Participação na previdência e redução da informalidade

 

No primeiro trimestre de 2026, o índice de trabalhadores ocupados que contribuem para a previdência chegou a 66,9%. Trata-se da maior proporção registrada pelo IBGE, totalizando 68,174 milhões de pessoas com acesso à proteção social, como aposentadoria, benefícios por incapacidade e pensão por morte.

 

O IBGE considera como contribuintes aqueles que, sendo empregados, empregadores, trabalhadores domésticos ou autônomos, efetuaram contribuições para institutos oficiais de previdência federal (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estadual ou municipal.

 

Segundo Adriana Beringuy, esse recorde de participação está relacionado à diminuição da informalidade, já que pessoas nesta condição contribuem menos para a previdência.

 

Os informais contribuem menos para a previdência.

 

No trimestre finalizado em março, a taxa de informalidade era de 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores sem direitos decorrentes de vínculos trabalhistas. Ao final de 2025, o índice era de 37,6% e, no primeiro trimestre daquele ano, de 38%.

 

Um trabalhador informal, como o autônomo sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, pode contribuir individualmente para o INSS.

 

Menor índice de desemprego da série histórica

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua é o principal instrumento para mensurar a situação do mercado de trabalho no Brasil, abrangendo pessoas a partir dos 14 anos de idade em todas as modalidades ocupacionais, incluindo com ou sem carteira assinada, temporários e autônomos.

 

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, sendo esse o menor valor já verificado nesse recorte temporal. O IBGE considera desempregada apenas a pessoa que, nos 30 dias antecedentes à pesquisa, procurou trabalho ativamente. O levantamento visitou 211 mil domicílios distribuídos em todos os estados e no Distrito Federal.

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