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Lula contesta possibilidade de veto à África do Sul no G20

Presidente do Brasil afirma que EUA não podem impedir presença de membro fundador no bloco econômico

20/04/2026 às 18:32
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou oposição à ameaça do governo dos Estados Unidos de impedir a participação da África do Sul no G20, bloco que reúne as principais economias do mundo e a União Europeia. A declaração foi feita nesta segunda-feira (20), em contexto de intensificação das tensões sobre o fórum internacional.

 

Donald Trump, presidente norte-americano, anunciou que não convidaria Cyril Ramaphosa, presidente sul-africano, para o próximo encontro do G20, que está previsto para novembro nos Estados Unidos, país que neste ano exerce a presidência do fórum. Trump tem feito, desde o ano anterior, acusações infundadas ao governo sul-africano, relacionadas a uma legislação sobre reforma agrária aprovada no país. Além disso, ele determinou o corte de financiamento destinado à África do Sul recentemente.

 

Lula relatou que conversou com Ramaphosa na semana anterior e enfatizou que, em sua visão, nenhuma nação fundadora do G20 pode ser impedida de participar das atividades do bloco por decisão unilateral de outro membro. O presidente brasileiro incentivou o líder sul-africano a comparecer ao encontro, independentemente da posição de Trump.

 

"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não."


 

Após uma reunião com o chanceler Friedrich Merz, em Hanôver, na Alemanha, Lula declarou que, caso estivesse no lugar de Ramaphosa, compareceria ao encontro do G20 não como convidado, mas na condição de membro fundador. O presidente brasileiro está em viagem oficial pela Europa, já tendo passado pela Espanha, com Portugal como próximo destino antes de seu retorno a Brasília.

 

Questionado por jornalistas na Alemanha, Lula reiterou que as alegações feitas por Trump sobre um suposto "genocídio branco" na África do Sul não procedem. O presidente brasileiro afirmou que Trump não possui legitimidade ou autoridade para vetar a presença de qualquer país no G20, e que uma medida como essa enfraqueceria o grupo das principais economias globais.

 

"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA]."


 

Lula também mencionou que o G20 constitui um fórum multilateral, cuja fundação contou com sua participação durante a crise econômica de 2008, originada nos Estados Unidos. Segundo o presidente, todos os 20 membros fundadores possuem o direito legítimo de integrar as discussões e decisões do bloco, criado inicialmente para enfrentar desafios econômicos globais.

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