LogoNotícias de Salvador

Lula critica ameaças de Trump a países como Irã, Cuba e Venezuela

Presidente do Brasil condena ameaças dos EUA a outras nações, critica bloqueio a Cuba e alerta para risco de conflito global

16/04/2026 às 23:34
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou críticas contundentes à postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a nações como Irã, Cuba e Venezuela. Segundo Lula, não cabe à Casa Branca ameaçar países com os quais mantém divergências.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Durante entrevista exclusiva concedida ao jornal espanhol El País, publicada na quinta-feira (16), Lula enfatizou as recentes ameaças e intervenções conduzidas por Trump contra Cuba e Venezuela, além das ameaças direcionadas ao Irã na semana anterior. Na ocasião, Trump afirmou que poderia cometer um crime de genocídio contra o Irã caso o país rejeitasse os termos impostos pelos Estados Unidos para a conclusão do conflito no Oriente Médio.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou Lula.


 

De acordo com o presidente brasileiro, há uma carência de lideranças políticas globais que assumam a responsabilidade de reconhecer que o planeta pertence a todos, e não apenas a uma única nação. Lula pontuou que países com maior relevância no cenário internacional devem demonstrar responsabilidade redobrada para preservar a paz mundial.

 

O líder do Executivo brasileiro também abordou o risco potencial de conflitos globais de grandes proporções decorrentes da política intervencionista dos Estados Unidos. Segundo ele, a repetição desse comportamento poderia desencadear uma terceira guerra mundial, cujas consequências seriam ainda mais devastadoras do que as da Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, argumentou Lula.


 

Quando questionado pelo jornal espanhol se considerava plausível a eclosão de um conflito dessa magnitude, Lula avaliou que “se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.

 

Rejeição ao bloqueio e sanções a Cuba

 

Lula demonstrou repúdio ao endurecimento do bloqueio energético imposto a Cuba, que ocorre em meio ao embargo econômico que já perdura por quase sete décadas. O presidente destacou a importância estratégica de Cuba para o Brasil e questionou a coerência dos países que criticam o regime cubano, ao não manifestarem igual preocupação com outras nações em situação crítica, como o Haiti, cuja realidade socioeconômica segue deteriorada há décadas e onde gangues armadas controlam grande parte da capital Porto Príncipe.

 

“Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Ou seja, se as pessoas que não gostam de Cuba, que não gostam do regime cubano, têm uma preocupação com o povo cubano, por que essas pessoas não têm uma preocupação com Haiti? Que não tem o regime comunista, por que não tem?”


 

O presidente acrescentou que o país caribenho precisa de oportunidades para superar suas dificuldades internas, ressaltando a complexidade de sobreviver sob restrições severas que impedem o recebimento de alimentos, combustíveis e energia.

 

Venezuela e eleições

 

Em relação à Venezuela, Lula destacou que a expectativa do governo brasileiro era a realização do pleito marcado para julho de 2024 e a aceitação dos resultados, de modo que o país vizinho pudesse restabelecer a paz interna. Lula afirmou ser inaceitável que os Estados Unidos presumam que possuem autoridade para administrar a Venezuela.

 

Taxas sobre exportações brasileiras e negociações bilaterais

 

Outra questão abordada na entrevista foi a imposição de tarifas norte-americanas sobre parte das exportações brasileiras, que vigoraram entre abril e agosto de 2025. Lula recordou sua postura durante encontro com Trump, ressaltando que não buscava consenso ideológico entre os chefes de Estado, mas sim a defesa dos interesses nacionais de cada país no relacionamento bilateral.

 

“Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo, como eu também não concordo com ele. Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente. Eu tenho que pensar como chefe de Estado. Quais são os interesses do meu país com relação aos Estados Unidos e quais são os interesses deles com relação ao meu país?”


 

No mês de novembro de 2025, após negociações entre os governos de Brasília e Washington, os Estados Unidos suspenderam a tarifa de 40% aplicada sobre diversos produtos brasileiros, como café e carne. Posteriormente, em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte norte-americana anulou a cobrança tarifária imposta por Trump a dezenas de países, acatando o pedido de empresas americanas prejudicadas pelas medidas.

© Copyright 2025 - Notícias de Salvador - Todos os direitos reservados