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Dólar recua para 4,95 reais e atinge menor cotação desde março de 2024

Mercado financeiro encerra abril com queda da moeda norte-americana e alta do Ibovespa, após seis pregões de baixa.

01/05/2026 às 18:08
Por: Redação

No encerramento do mês de abril, o mercado financeiro brasileiro registrou um cenário de otimismo, com o dólar apresentando forte queda diante de fatores internacionais e do posicionamento do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesta quinta-feira (30), a moeda norte-americana terminou o pregão cotada a 4,952 reais, o valor mais baixo desde 7 de março de 2024, representando uma depreciação de 0,049 real ou 0,99% em relação ao fechamento anterior.

 

No acumulado de abril, o dólar registrou perda de 4,38% frente ao real. Considerando o resultado do ano até este período, a desvalorização chega a 9,77%, colocando o real brasileiro entre as moedas com melhor desempenho no período analisado.

 

O comportamento do câmbio foi influenciado pelo ambiente internacional, que favoreceu o ingresso de capital estrangeiro em economias emergentes, como a brasileira. Investidores estrangeiros optaram por vender dólares e destinar recursos a ativos do Brasil, inclusive ações, diante do apetite global por risco.

 

O comunicado do Copom, divulgado após a reunião de quarta-feira (29), adotou um tom considerado rígido. Na ocasião, o Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa básica de juros (Selic) para 14,50% ao ano e sinalizou prudência em relação aos próximos cortes, citando incertezas quanto à inflação. Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a taxa permanece em patamar elevado se comparada a outros países.

 

No cenário externo, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%. O aumento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos amplia a atratividade dos ativos brasileiros para investidores internacionais em busca de maior rentabilidade, favorecendo a valorização do real frente ao dólar.

 

O euro comercial também registrou queda expressiva na sessão, sendo cotado a 5,811 reais, recuo de 0,48%. Esta é a cotação mais baixa da moeda europeia desde 24 de junho de 2024.

 

Mercado de ações tem alta após sequência de quedas

O Ibovespa, índice de referência da B3, encerrou o pregão desta quinta-feira aos 187.318 pontos, avanço de 1,39% em relação ao fechamento anterior. O resultado positivo interrompeu uma série de seis quedas consecutivas e foi impulsionado tanto pelo fluxo de capital estrangeiro quanto pela revisão das expectativas sobre a política monetária brasileira.

 

A sinalização de que os cortes na Selic devem ser feitos de modo mais gradual vem fortalecendo a percepção de estabilidade econômica, o que tem reflexos positivos no mercado de ações. Apesar do desempenho positivo neste dia, o Ibovespa terminou o mês praticamente no mesmo patamar, já que as recentes quedas compensaram parte dos ganhos do período.

 

No âmbito doméstico, investidores acompanharam indicadores e decisões políticas, mas com impacto limitado nos preços das ações. Os dados referentes ao mercado de trabalho mostraram resiliência da economia nacional, elemento que reforça a visão de que não há espaço para reduções agressivas nos juros em curto prazo.

 

Petróleo oscila com tensões geopolíticas

As cotações do petróleo exerceram influência relevante sobre os mercados globais durante o pregão. A commodity foi marcada por forte volatilidade, principalmente em virtude das tensões geopolíticas envolvendo Oriente Médio, com destaque para Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições impostas no Estreito de Hormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do planeta.

 

No decorrer do dia, as cotações do petróleo chegaram a superar 120 dólares, mas perderam força nas últimas horas do pregão. O barril do Brent, referência para a Petrobras, foi negociado ao final do dia a 110,40 dólares, sem variação significativa. Já o barril do tipo WTI, referência utilizada nos Estados Unidos, encerrou o pregão a 105,07 dólares, o que representa queda de 1,69%.

 

A incerteza sobre o abastecimento de petróleo, decorrente das tensões internacionais e das restrições logísticas, contribui para manter os preços elevados, o que, por consequência, pressiona a inflação global e impacta decisões de política monetária em diferentes países.

 

Informações adicionais fornecidas pela Reuters.

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