A partir do início de maio, as plataformas brasileiras de mercado de previsões passam a ter restrições para apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento, que ficam proibidas em todo o país conforme decisão tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Essa medida foi aprovada na reunião realizada na noite de 23 de maio pelo órgão responsável, sendo divulgada no dia seguinte, e tem como objetivo eliminar lacunas regulatórias e estabelecer parâmetros mais definidos para a atuação dessas plataformas.
Somente continuarão autorizados contratos relacionados a assuntos econômicos e financeiros, incluindo inflação, taxas de juros e valores de commodities, que são os produtos primários cotados internacionalmente.
O mercado preditivo, também conhecido como uma versão de “bolsa de apostas” para eventos futuros, opera por meio da compra e venda de contratos baseados em perguntas objetivas, como se determinado evento ocorrerá ou não. Na prática, os participantes lucram se o evento previsto se realiza, e perdem caso contrário. Entre as diferenças em relação às apostas tradicionais, estão aspectos como:
Pela nova regulamentação, não será mais permitido comercializar contratos que envolvam:
A determinação também se aplica a plataformas estrangeiras que ofereçam esse tipo de produto para o público brasileiro, tornando essas operações irregulares no território nacional.
Continuarão disponíveis para negociação apenas contratos vinculados a variáveis financeiras, tais como:
Nesses casos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) seguirá como o órgão responsável pela regulação e fiscalização das operações, conforme já ocorre no mercado financeiro.
A principal razão para a decisão do governo federal é o entendimento de que apostas relacionadas a eventos não financeiros caracterizam, na prática, jogos de azar, e não investimentos. Por esse motivo, o governo estabeleceu que apostas desse tipo só poderão ser feitas por intermédio de bets, que obrigatoriamente exigem:
Como as plataformas de mercado preditivo até então atuavam sem essas exigências, passaram a ser vistas como concorrentes irregulares das bets licenciadas.
Com a resolução, empresas nacionais e internacionais que operavam mercados preditivos com apostas sobre eleições, eventos esportivos e acontecimentos globais terão uma significativa restrição em suas atividades no Brasil. O governo, com a medida, busca reduzir o risco para investidores, coibir práticas de especulação excessiva e estruturar um segmento que vinha crescendo à margem de uma regulação específica.
A regulamentação complementar das operações continuará a cargo da CVM, que assumirá também o monitoramento do cumprimento das determinações.
As mudanças estabelecidas entrarão em vigor a partir de 4 de maio, compondo o esforço mais amplo do governo federal para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros em território nacional.