LogoNotícias de Salvador

Setor produtivo pressiona por redução mais acentuada da Selic

Entidades da indústria, comércio e sindicatos consideram corte de 0,25% insuficiente e apontam efeitos negativos dos juros altos.

30/04/2026 às 10:54
Por: Redação

Entidades representativas da indústria, do comércio e de trabalhadores manifestaram insatisfação com o recente corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), e alegam que a medida foi insuficiente diante dos impactos negativos sobre investimento, consumo e renda.

 

O ajuste anunciado reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. Para esses setores, o patamar dos juros ainda se mantém elevado e continua exercendo pressão sobre a economia nacional.

 

Avaliação da indústria sobre a decisão do Copom

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a diminuição foi modesta, resultando na manutenção de custos elevados no crédito, o que prejudica tanto a realização de investimentos quanto a competitividade das empresas industriais.

 

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.


 

Segundo a CNI, o cenário atual tem provocado deterioração financeira recorrente em empresas e famílias.

 

A confederação observa que o endividamento de empresas e famílias segue em alta mês a mês, afetando negativamente a saúde financeira de toda a economia.

 

Comércio destaca impacto na atividade econômica

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considerou que o Banco Central poderia ter promovido uma redução mais expressiva da Selic.

 

Na avaliação do economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o atual patamar dos juros prejudica diretamente a performance econômica:

 

“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou.


 

Queiroz alertou para o aumento no número de empresas em recuperação judicial, além do crescimento do endividamento das famílias e do aumento dos custos relacionados à dívida. Ele destacou ainda que os juros elevados favorecem a busca por ganhos especulativos, em detrimento de investimentos produtivos no país.

 

Centrais de trabalhadores criticam ritmo da redução dos juros

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) considerou a redução da Selic lenta e reiterou que a política monetária afeta diretamente a renda dos brasileiros.

 

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, declarou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.


 

Ela destacou que a taxa básica de juros influencia o funcionamento de todo o sistema financeiro nacional. Segundo a dirigente, o aumento da Selic encarece o crédito, enquanto sua redução torna os empréstimos menos onerosos, mas ainda não em nível suficiente para aliviar o cenário atual.

 

A Força Sindical também se posicionou de maneira crítica, classificando a decisão do Copom como tímida e ressaltando que os juros permanecem em patamar elevado.

 

A central sindical afirmou que a política de juros altos restringe investimentos, limita a capacidade produtiva e prejudica a geração de emprego e renda. Além disso, a entidade associou o alto grau de endividamento das famílias ao elevado custo do crédito no país.

 

Expectativa por cortes mais intensos para estimular a economia

Representando segmentos distintos da economia, indústria, comércio e sindicatos convergiram na análise de que existe espaço para uma aceleração no ritmo de redução da Selic.

 

Segundo essas entidades, o atual patamar da taxa básica de juros impõe restrições relevantes à expansão econômica, ao acesso ao crédito e ao crescimento do consumo no Brasil.

© Copyright 2025 - Notícias de Salvador - Todos os direitos reservados