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Movimentos LGBT+ do Rio se articulam por direitos e apoio

Lideranças de 35 municípios se reúnem para trocar experiências, definir pautas e construir um calendário unificado de Paradas Estaduais.

25/04/2026 às 19:16
Por: Redação

Em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, a celebração anual do orgulho LGBTI+ transcende a festa, enfrentando obstáculos logísticos e sociais. A organização desses eventos, que combinam festividade e a defesa de direitos, exige mais do que apenas a presença de trios elétricos, revelando desafios singulares da região.

 

A segurança dos participantes, por exemplo, demanda a interrupção da fiação aérea que interliga os postes do bairro. Além disso, a ocorrência de chuvas pode paralisar completamente a programação, forçando a manifestação a se ajustar às condições climáticas e ambientais.

 

“Não é igual à Copacabana, na Avenida Atlântica, onde os trios podem colocar coberturas contra a chuva e seguir desfilando tranquilos. Madureira tem outras dificuldades”, explica Rogéria Meneguel, presidente e organizadora da Parada LGBT+ de Madureira.

 

Ela acrescenta que, em uma ocasião, chuvas intensas impediram o desfile, mantendo a Parada “literalmente parada”. Para superar essas adversidades, a partir do ano anterior, o evento passou a ser realizado dentro do Parque de Madureira.

 

Essa disparidade de desafios se estende aos municípios menores do estado, que enfrentam realidades distintas da capital. Para promover a colaboração e a troca de experiências entre líderes de diversas localidades, o Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+ foi agendado para este sábado (25), no centro do Rio de Janeiro.

 

“É fundamental que as cidades maiores também deem sustentação e suporte político, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade”, diz Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, organizador da Parada de Copacabana. “O que deu certo para um pode servir de referência para outro. E nos reunimos para pensar juntos quais são as principais pautas da comunidade. Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas”, completa.

 

Desafios nos Municípios

 

A organização desses eventos, contudo, vai além das questões estruturais e logísticas. Ela abrange também a necessidade de confrontar reações conservadoras que buscam restringir os direitos e as reivindicações da população LGBTI+.

 

Rafael Martins, presidente do coletivo Arraial Free, responsável pela manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, narra uma jornada de 14 anos de esforço contínuo para consolidar o movimento nas ruas da cidade.

 

“O município ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo e mostrando para a nossa região, muito conservadora, que nós existimos, estamos ali e que precisamos de políticas públicas para a população LGBTI+”, diz Rafael.

 

Rafael detalha como as vivências de Arraial do Cabo podem enriquecer o diálogo coletivo. Ele relata que, antes da Parada, o grupo busca ativamente o apoio e patrocínio de comerciantes, incluindo parceiros da rede hoteleira e de supermercados. Mesmo contribuições modestas, como um engradado de água, são de grande valia. Sua principal mensagem é que não se deve focar exclusivamente no apoio da prefeitura ou de instituições, mas sim na construção de parcerias com aqueles que estão dispostos a colaborar, permitindo um avanço conjunto.

 

Plataforma de Colaboração

 

O evento, que marca seu retorno após uma década de ausência, conta com a presença de representantes de pelo menos 35 municípios. A iniciativa é organizada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ e recebe apoio do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, além do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura.

 

Ao longo do dia, foram realizadas rodas de debates que exploraram diversos tópicos cruciais. Entre os assuntos discutidos estavam a estrutura institucional e a viabilidade dos eventos; a organização prática das Paradas; estratégias de engajamento social e voluntariado; a busca por apoios e patrocínios; a promoção de direitos e a sustentabilidade ambiental; e a construção de agendas socioculturais.

 

Um dos objetivos importantes do encontro é a elaboração conjunta de um calendário estadual das Paradas, visando o fortalecimento das estratégias de cooperação entre as diferentes regiões e a ampliação da visibilidade das mobilizações.

 

Exemplificando essa organização, as datas das Paradas de Arraial do Cabo e de Copacabana já foram definidas: ocorrerão em 13 de setembro e 22 de novembro, respectivamente. A Parada de Madureira, embora ainda sem data final, tem sua realização prevista para o mês de novembro.

 

A plenária de encerramento do evento tem como meta a formulação de 25 recomendações específicas, que servirão para impulsionar os movimentos, definir prioridades para a incidência política e sugerir propostas para um próximo encontro entre os territórios.

 

“Fico muito feliz de ver esse movimento crescendo tanto pelo país. Hoje, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se a gente for ver proporcionalmente, o Rio de Janeiro é o estado com maior número, levando em consideração que temos 92 municípios e mobilizações em 38 deles”, diz Cláudio Nascimento.

 

“É um período muito difícil, com muitas tentativas de impedir a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Continuamos o trabalho para fortalecer a nossa rede”, finaliza.

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