Na manhã de segunda-feira, 20 de maio, aproximadamente duzentas pessoas, entre turistas e moradores, ficaram impossibilitadas de deixar o topo do Morro Dois Irmãos, um renomado ponto turístico da zona sul do Rio de Janeiro. A situação de confinamento ocorreu em meio a uma intensa operação policial que se desenrolava na vizinha comunidade do Vidigal.
A mobilização das forças de segurança foi iniciada pela Polícia Civil fluminense em colaboração com o Ministério Público do Estado da Bahia, indicando uma ação de caráter interestadual.
O Morro Dois Irmãos é conhecido por atrair um grande número de visitantes, que habitualmente sobem suas trilhas nas primeiras horas do dia para contemplar o nascer do sol e desfrutar da vista panorâmica privilegiada da zona sul carioca.
Contudo, a instabilidade gerada pela operação de segurança na área impediu que esses frequentadores pudessem realizar a descida do morro, deixando-os em uma condição de insegurança e espera.
O principal objetivo da incursão policial era a captura de indivíduos ligados à facção criminosa Comando Vermelho da Bahia, que, conforme apurações policiais, haviam se refugiado na comunidade do Vidigal. Houve confrontos, e relatos de moradores indicam que a troca de tiros foi intensa.
Em resposta à ação policial, membros da facção criminosa atearam fogo em lixeiras pertencentes à Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) ao longo da Avenida Niemeyer.
Esta avenida representa um eixo crucial para a comunidade, servindo como principal acesso e conectando os bairros de São Conrado e Leblon. A via permaneceu interditada por aproximadamente trinta minutos, sendo liberada posteriormente com a escolta de um comboio da Polícia Militar, que auxiliou na normalização do fluxo de veículos.
Nas redes sociais, residentes do Vidigal expressaram seu temor e a sensação de insegurança, descrevendo o cenário de tiroteio e a constante passagem de helicópteros da Polícia Civil sobre a favela. Vídeos compartilhados mostravam claramente o som dos disparos.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro detalhou que a operação contou com a participação de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), atuando em uma força-tarefa conjunta com o Ministério Público do Estado da Bahia, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e a Polícia Civil da Bahia.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro enfatizou que:
A ação é resultado de um trabalho conjunto de inteligência e cooperação interestadual entre as forças de segurança.