O conflito armado no Irã projeta um cenário de grave retrocesso social, com a estimativa de que mais de 30 milhões de indivíduos sejam lançados novamente à condição de pobreza. A advertência foi emitida pelo chefe de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), Alexander De Croo, em pronunciamento nesta quinta-feira (23), destacando as interrupções no fornecimento de combustíveis e fertilizantes como fatores cruciais para essa regressão.
A crise de fertilizantes, exacerbada pelo bloqueio imposto a navios cargueiros no estratégico Estreito de Ormuz, já provocou uma diminuição significativa na produtividade agrícola, conforme detalhou o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) à agência Reuters. O impacto dessa redução deve se refletir na colheita futura, afetando a produção agrícola ao longo deste ano.
Alexander De Croo, que anteriormente ocupou o cargo de primeiro-ministro da Bélgica, enfatizou a gravidade da situação.
A insegurança alimentar atingirá seu nível máximo em alguns meses, e não há muito que se possa fazer a respeito.
Ele também listou outras consequências diretas da crise, como a escassez de energia e a diminuição das remessas financeiras. Mesmo com uma eventual cessação das hostilidades, os efeitos já se manifestam, conforme salientou o representante da ONU.
Mesmo que a guerra parasse amanhã, esses efeitos já estão presentes e empurrarão mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza.
A região do Oriente Médio é responsável por grande parte da produção global de fertilizantes, e aproximadamente um terço de todo o suprimento mundial transita pelo Estreito de Ormuz, uma área de disputa entre o Irã e os Estados Unidos. Este cenário geopolítico intensifica a preocupação com o abastecimento global.
Neste mês, instituições financeiras e humanitárias de renome internacional, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU, já haviam emitido um alerta conjunto. O comunicado indicava que o conflito provocaria um aumento nos preços dos alimentos, impondo uma carga ainda maior sobre as populações mais vulneráveis em todo o mundo.
De Croo ressaltou que as repercussões indiretas da crise já resultaram na supressão de uma fatia estimada entre 0,5% e 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Ele lamentou a velocidade da destruição causada pelos conflitos.
Coisas que levam décadas para serem acumuladas, são necessárias oito semanas de guerra para destruí-las.
Além disso, a guerra está exercendo uma pressão significativa sobre os esforços humanitários globais. A diminuição dos recursos financeiros e o crescimento das necessidades em regiões já assoladas por emergências severas, incluindo o Sudão, Gaza e a Ucrânia, agravam o quadro.
Diante desse cenário, De Croo expressou uma dura realidade.
Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los.
Ele concluiu, projetando as consequências para aqueles que dependem da assistência.
As pessoas que estariam sobrevivendo com ajuda não terão isso e serão empurradas para uma vulnerabilidade ainda maior.