Em um cenário internacional marcado por menor aversão ao risco, o dólar comercial concluiu esta sexta-feira cotado a quatro reais e noventa e nove centavos, apresentando uma leve desvalorização de 0,1%. Apesar deste recuo, a moeda norte-americana acumulou alta de 0,32% ao longo da semana. No acumulado do ano, a desvalorização chega a 8,92%, resultado de uma recente valorização do real que levou o dólar ao menor patamar em mais de dois anos.
As negociações internacionais foram influenciadas pela expectativa de retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã, o que trouxe um ambiente mais favorável para moedas de países emergentes como o real. Esse contexto reduziu a demanda global por ativos considerados mais seguros, como a própria moeda norte-americana.
No decorrer dos últimos dias, o câmbio passou por processos de ajuste técnico, com investidores realizando lucros após a queda expressiva do dólar. O Banco Central chegou a anunciar uma intervenção através da oferta simultânea de dólares à vista e de contratos futuros, mecanismo conhecido como casadão. Entretanto, nenhuma proposta foi aceita pela autoridade monetária, que avaliou não ser necessária sua atuação naquele momento.
O principal índice do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, fechou em baixa de 0,33%, atingindo cento e noventa mil setecentos e quarenta e cinco pontos. Durante o pregão, o índice chegou a cair abaixo dos cento e noventa mil pontos, refletindo um movimento de realização de lucros após alcançar recordes recentes. Esta foi a terceira queda consecutiva do Ibovespa, que registrou alta em apenas uma das últimas sete sessões.
No acumulado da semana, a Bolsa recuou 2,55%. Apesar das recentes quedas, o índice ainda apresenta alta de 1,75% no mês e crescimento de 18,38% no acumulado do ano.
Entre os fatores que exerceram pressão sobre o desempenho do Ibovespa estão a performance das ações ligadas ao setor de petróleo e a volatilidade do cenário externo. Enquanto os índices de tecnologia dos Estados Unidos registraram valorização nesta sexta-feira, os indicadores dos setores mais tradicionais daquele país fecharam em baixa.
Os preços internacionais do petróleo vivenciaram grande volatilidade nesta sexta-feira, influenciados tanto por episódios de tensão geopolítica quanto por sinais de possível distensão no conflito entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent, referência internacional adotada pela Petrobras, teve desvalorização de 0,22%, sendo cotado a noventa e nove dólares e treze centavos para contratos com vencimento em junho. Já o barril de WTI, referência para o mercado dos Estados Unidos, fechou o dia cotado a noventa e quatro dólares e quarenta centavos, com queda diária de 1,5%.
Apesar das oscilações observadas no pregão, o Brent acumulou valorização de 16% ao longo da semana, enquanto o WTI teve alta próxima de 13%. Esses movimentos refletem preocupações com a oferta global de petróleo, principalmente devido ao conflito no Oriente Médio. A situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte de petróleo, permanece crítica, com tráfego reduzido e casos de apreensão de embarcações.
As negociações seguem marcadas pela cautela dos investidores, mesmo diante da extensão do cessar-fogo envolvendo o Irã.