Nesta sexta-feira, 1º de abril, entrou em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, promovendo mudanças significativas para as exportações do Brasil destinadas ao mercado europeu. De acordo com números apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros que seguem para países europeus passam a ser comercializados sem a cobrança de tarifa de importação nesta primeira etapa do tratado.
Com a redução imediata das tarifas, empresas brasileiras ganham a possibilidade de comercializar a maior parte de seus produtos no continente europeu sem a incidência de impostos de entrada. Essa medida representa diminuição de custos para os exportadores nacionais e eleva a competitividade frente a fornecedores de outros mercados internacionais.
O acordo estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo um universo de mais de 700 milhões de consumidores. A Confederação Nacional da Indústria estima que mais de cinco mil itens produzidos no Brasil terão isenção tarifária automática, abrangendo tanto produtos de origem industrial quanto agrícola.
Antes da implementação do acordo, diversos produtos brasileiros sofriam incidência de tarifas ao ingressar no mercado europeu, o que elevava o preço final e prejudicava a competitividade frente a outros países. Com a vigência do novo tratado, essas barreiras começam a ser eliminadas para um amplo conjunto de mercadorias.
Ao todo, 2.932 produtos nacionais começam a ser exportados com tarifa zero nesta fase inicial. Dentre eles:
• 2.714 produtos, correspondendo a aproximadamente 93% do total, são classificados como bens industriais;
• Os itens restantes abrangem produtos alimentícios e matérias-primas diversas.
Esse cenário tem potencial para beneficiar principalmente a indústria de transformação no Brasil, que encontra agora uma oportunidade de acesso ampliado e mais competitivo a um dos mercados internacionais mais exigentes e com grande relevância econômica.
Ao analisar o recorte dos segmentos que devem observar os maiores ganhos, destacam-se:
• Máquinas e equipamentos, representando 21,8% do total de produtos imediatamente beneficiados pela redução tarifária;
• Alimentos, com participação de 12,5% nessa lista;
• Metalurgia, responsável por 9,1% dos itens contemplados;
• Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, somando 8,9%;
• Produtos químicos, que totalizam 8,1%.
No segmento de máquinas e equipamentos, quase 96% das exportações brasileiras direcionadas à Europa passam a ser comercializadas sem qualquer tarifa, incluindo itens como compressores, bombas industriais e componentes mecânicos diversos.
No setor alimentício, centenas de produtos serão exportados com tarifa zero, ampliando o espaço de atuação dos produtores nacionais no competitivo mercado europeu.
A assinatura e execução desse acordo comercial é vista como estratégia de ampliação considerável do acesso do Brasil a mercados internacionais. Atualmente, países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais representam cerca de 9% das importações globais. Com a inclusão da União Europeia, esse percentual tende a superar 37%.
O tratado também contribui para proporcionar maior previsibilidade às empresas exportadoras, ao definir regras claras referentes a práticas comerciais, processos de compras governamentais e padrões técnicos adotados nos países envolvidos.
Ainda que o impacto inicial seja expressivo, nem todos os produtos passarão a ser exportados sem tarifas imediatamente. Para uma série de itens considerados sensíveis, a redução tarifária ocorrerá em etapas, conforme prazos específicos:
• Na União Europeia, a eliminação de tarifas será concluída em até 10 anos para alguns produtos;
• No Mercosul, esse prazo pode se estender a 15 anos, dependendo do item exportado;
• Em setores especiais, por exemplo, no caso de novas tecnologias, o período para retirada total das tarifas pode chegar a 30 anos.
O início da vigência do tratado representa apenas a primeira fase na efetiva implementação das novas regras. O governo brasileiro deverá ainda regulamentar questões como a definição e distribuição de cotas de exportação entre os membros do Mercosul.
Além disso, organizações representativas do setor empresarial em ambos os blocos vão constituir um comitê responsável por acompanhar a execução do acordo e apoiar o setor produtivo na identificação e aproveitamento das oportunidades comerciais abertas por essa nova configuração.