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Cientistas criam painel global para guiar transição energética

Especialistas em clima, economia e tecnologia lançam grupo para fornecer evidências e guiar governos rumo à descarbonização global.

25/04/2026 às 21:37
Por: Redação

Um grupo diversificado de cientistas, com expertise em clima, economia e tecnologia, anunciou a formação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). A iniciativa foi apresentada neste sábado (25), durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que ocorreu em Santa Marta, na Colômbia.

 

O principal objetivo do SPGET é oferecer consultoria a governos ao redor do mundo, fornecendo recomendações fundamentadas em evidências. Essas diretrizes visam embasar políticas públicas e ações concretas para acelerar o processo de descarbonização em escala global.

 

O lançamento do painel contou com a presença de renomados cientistas internacionais. Entre eles estavam os brasileiros Carlos Nobre, uma autoridade em estudos da Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, também participou.

 

A transição energética é complexa e envolve economia, meio ambiente e justiça social. A ciência pode atuar como ponte entre países que avançam mais rápido e aqueles que ainda estão hesitantes. O painel é uma forma de integrar todos gradualmente.

 

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, esteve presente e expressou seu apoio à criação do painel, destacando que a iniciativa preenche uma lacuna histórica.

 

Este painel não só repara uma dívida ao criar, pela primeira vez, um organismo dedicado à superação dos combustíveis fósseis, como também discute outros desafios sociais e econômicos dessa transformação.

 

A ministra complementou que o SPGET é “o primeiro concebido para reunir, ao longo dos próximos cinco anos, as evidências científicas que permitirão que cidades, regiões, países e coalizões deem esse grande salto.”

 

Além de suas funções consultivas, o painel se propõe a fortalecer a colaboração entre o meio acadêmico e os governos, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias coordenadas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Suas ações incluem a elaboração de recomendações técnicas detalhadas, o monitoramento de políticas e a integração com processos internacionais importantes, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

 

Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, enfatizou a importância de a ciência reassumir seu papel central na orientação das decisões políticas relacionadas ao clima e ao meio ambiente.

 

Isso parece óbvio, mas vem sendo um pouco esquecido no âmbito da Convenção do Clima. Antigamente, todos os grandes encontros para debater mudança climática, como a Eco-92, começaram sob a égide de algum relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática.

 

Angelo criticou a desvalorização da ciência em eventos recentes, citando um exemplo de 2018: “Isso deixou de acontecer de uns anos para cá. A gente chegou ao cúmulo de em 2018, na COP24, um grande relatório do IPCC, que tinha sido inclusive encomendado pela Convenção do Clima, ter sido relegado a uma nota de rodapé na decisão da COP.”

 

Debates e Metas em Santa Marta

 

A Conferência de Santa Marta reuniu representantes de 57 países, incluindo o Brasil, e aproximadamente 4.200 organizações. O público presente englobou governos, setor privado, povos indígenas, academia e membros da sociedade civil. O propósito do encontro foi avançar na implementação de medidas concretas para diminuir a dependência global de combustíveis fósseis, focando em três pilares principais: a transformação econômica, a reconfiguração da oferta e demanda de energia e o fortalecimento da cooperação internacional.

 

Durante os primeiros dias da conferência, de 24 a 27 de abril, foram consolidadas as propostas que servirão de base para a Cúpula de Líderes, programada para os dias 28 e 29 de abril. Espera-se que os resultados do evento incluam a criação de novos mecanismos de cooperação entre as nações participantes e a publicação de um relatório com diretrizes claras para acelerar a transição energética global.

 

Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, que colidera a iniciativa com a Colômbia, ressaltou o potencial dos participantes. “Com mais de 50% do PIB global representado nesta Conferência, este grupo tem a capacidade coletiva de transformar essas cinco palavras em ações concretas”, afirmou.

 

Com a crescente volatilidade no mercado de combustíveis fósseis, não há melhor momento para iniciar a transição para longe dos combustíveis fósseis, reduzindo o impacto climático, reforçando a independência energética e impulsionando o crescimento econômico verde.

 

O ativista socioambiental sul-africano Kumi Naidoo expressou a visão de que a conferência oferece uma oportunidade crucial para estabelecer ações concretas, algo que as Conferências das Partes (COPs) anuais das Nações Unidas sobre mudanças climáticas nem sempre conseguiram realizar.

 

Queremos receber o que pedimos para a COP desde pelo menos 2009: um acordo fantástico, que seja justo, ambicioso e vinculativo. Na maioria das vezes, recebemos acordos superficiais, cheios de brechas.

 

Naidoo, que lidera a Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Treaty), concluiu: “Independentemente da qualidade do trabalho científico, precisamos garantir que o processo político esteja em andamento. Outros mecanismos e caminhos juridicamente vinculativos, como o tratado sobre combustíveis fósseis, são cruciais.”

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