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Prefeitura de Dourados decreta calamidade por chikungunya e inicia vacinação

Cidade enfrenta surto grave, registra oito mortes e vacinará público entre 18 e 59 anos

22/04/2026 às 16:41
Por: Redação

A prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, instituiu estado de calamidade em saúde pública devido ao aumento expressivo de casos de chikungunya no município. Embora inicialmente restrita à Reserva Indígena de Dourados, a doença agora também atinge diferentes bairros urbanos da cidade.

 

No dia 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia publicado um decreto reconhecendo a emergência em saúde pública no município em virtude da epidemia. Na semana seguinte, outro decreto foi editado, desta vez declarando emergência em defesa civil nas áreas afetadas pela doença.

 

De acordo com comunicado oficial, a mais recente medida segue as diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), responsável por organizar e articular as ações de enfrentamento tanto na reserva indígena quanto no perímetro urbano de Dourados.

 

O cenário epidemiológico do município é considerado crítico, com mais de 6.186 casos prováveis notificados e uma taxa de positividade de 64,9% para chikungunya. Informações do Departamento de Gestão do Complexo Regulador local apontam para uma ocupação de leitos de internação em torno de 110%, ultrapassando a capacidade instalada e indicando que até mesmo casos graves podem não receber atendimento oportuno.

 

O decreto que estabelece o estado de calamidade na saúde pública tem validade de 90 dias.

 

Início da vacinação e critérios

 

Está prevista para a próxima segunda-feira, dia 27, o início da campanha de imunização contra a chikungunya em Dourados. O município recebeu na noite da última sexta-feira, dia 17, o primeiro carregamento com doses da vacina.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, a prefeitura realiza capacitação para profissionais de enfermagem, com o objetivo de orientar a população sobre as restrições relacionadas à vacina e de identificar possíveis comorbidades antes da aplicação da dose.

 

As normas do Ministério da Saúde estabelecem que apenas pessoas entre 18 e 59 anos podem ser vacinadas nesta campanha. O município pretende atingir pelo menos 27% desse público-alvo, o que representa cerca de 43 mil indivíduos.

 

A administração municipal detalhou as situações em que a vacina não deve ser administrada:

 

  • Gestantes ou lactantes;
  • Pessoas em uso de medicamentos imunossupressores, como corticoides em doses elevadas;
  • Pessoas com imunodeficiência congênita;
  • Indivíduos passando por tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia, além de transplantados de órgão sólido;
  • Pessoas transplantadas de medula óssea há menos de dois anos;
  • Pessoas vivendo com HIV/aids;
  • Pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide;
  • Portadores de pelo menos duas doenças crônicas, incluindo diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doenças pulmonares crônicas, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer (seja em tratamento ou em remissão).

 

Há outras restrições para a aplicação da vacina, como:

 

  • Pessoas que tenham sido diagnosticadas com chikungunya nos últimos 30 dias;
  • Indivíduos em estado febril grave;
  • Pessoas que tenham recebido vacina de vírus atenuado nos 28 dias anteriores;
  • Indivíduos que receberam vacina de vírus inativado nos 14 dias anteriores.

 

A prefeitura projeta um ritmo de imunização mais lento, já que todos os integrantes do público-alvo terão de passar por avaliação profissional antes do recebimento da dose. As vacinas serão distribuídas para todas as salas de vacinação, incluindo aquelas voltadas à saúde indígena, a partir de sexta-feira, dia 24.

 

O calendário também prevê uma ação de vacinação no formato drive-thru durante o feriado do Dia do Trabalho, em 1º de maio, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya em abril de 2025. O imunizante será utilizado estrategicamente em regiões com potencial risco de transmissão, contemplando cerca de 20 municípios em seis estados nos próximos anos.

 

A seleção dos municípios para a imunização levou em conta fatores epidemiológicos, a já existente circulação do vírus, o tamanho da população desses municípios e a facilidade operacional para incorporar uma nova vacina ao sistema de saúde local em curto prazo.


 

Casos, mortes e dados do município

 

Até o dia 20 de maio, Dourados registrava 4.972 casos prováveis da enfermidade, sendo 2.074 confirmados, 1.212 descartados e 2.900 ainda sob investigação. Foram confirmados oito óbitos decorrentes de complicações da chikungunya, sendo sete deles entre residentes da reserva indígena.

 

Investimento federal para combate ao surto

 

No final de março, o Ministério da Saúde liberou um aporte emergencial de 900 mil reais destinados a ações de vigilância, assistência e controle à chikungunya no município. Segundo o órgão, o valor será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal.

 

Os recursos poderão ser utilizados para ampliar a vigilância em saúde, combater o mosquito Aedes aegypti, qualificar o atendimento assistencial e fornecer suporte às equipes envolvidas diretamente no atendimento à população.

 

Informações sobre a chikungunya

 

Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, a transmissão ocorre exclusivamente pelo Aedes aegypti. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013, provocando epidemias em vários países da América Central e do Caribe.

 

A confirmação da doença por métodos laboratoriais no Brasil ocorreu ainda em 2014, nos estados do Amapá e Bahia. Atualmente, todos os estados brasileiros apresentam transmissão do arbovírus.

 

Em 2023, o Ministério da Saúde destacou a ampliação territorial do vírus, principalmente para estados da Região Sudeste, sendo que anteriormente as maiores incidências se concentravam no Nordeste.

 

A manifestação clínica da chikungunya é caracterizada principalmente por edema e dor articular com potencial incapacitante. Também podem ocorrer sintomas extra-articulares, sendo que nos casos mais graves pode haver necessidade de internação hospitalar e risco de morte.

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